Os Xutos e pontapés, pela voz de Zé pedro, mostram-se surpreendidos com o facto de esta música estar a ser usada como espelho da realidade nacional. Surpreendidos ou não, é como diria Zeca Afonso em relação a algumas músicas: "esta história não tem moral, fica para quem quiser interpretar..."
Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou-bem
Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor
Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar...
(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer
É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
o povo que acreditou
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar...
(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão
"É mais fácil mobilizar os homens para a guerra que para a paz. Ao longo da história, a Humanidade sempre foi levada a considerar a guerra como o meio mais eficaz de resolução de conflitos, e sempre os que governaram se serviram dos breves intervalos de paz para a preparação das guerras futuras. Mas foi sempre em nome da paz que todas a guerras foram declaradas." José Saramago
quinta-feira, 16 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
Quem é que me explica?

Há neste momento, entre várias outras, duas coisas que não entendo e gostava que alguém me explicasse sem ser completamente rídiculo:
1ª - Como é que é possível este governo apoiar Durão Barroso sem corar sabendo que este pertence a outra cor política e que é a única das faces da famosa cimeira das Lajes e da velha política de Bush que ainda ocupa importantes cargos e que é, sem sombra de dúvida, a imagem de um passado recente que toda a gente quer esquecer?
2ª - Qual é o interesse daquela gente que se juntou e lançou uma petição para que haja uma convergência de todas as esquerdas em Lisboa para derrotar o monstro Santana?
PS, PCP, Cidadãos por Lisboa, BE e porque não PCTP-MRPP... Todos unidos e felizes à volta de Costa, Perestelo e Sá Fernandes. Que lindo!...
Alguém consegue explicar???
sexta-feira, 27 de março de 2009
Dia Mundial do Teatro

Depois de há um ano ter escrito aqui dois posts sobre este dia, um que continha a mensagem do dia mundial do Teatro de Robert Lepage, e outro que era a minha opinião sobre a situação do Teatro em Portugal há um ano.A magnífica mensagem de Robert Lepage pode relê-la aqui.
Quanto à minha opinião, curiosamente manteve-se ou piorou... Mais rídiculo só mesmo o facto do que foi descrito por mim o ano passado sobre o acompanhamento ou notícia deste dia pelos meios de comunicação social se manter tão actual como há um ano, pois não há alteração absolutamente nenhuma.
Passada esta introdução aqui vos deixo a mensagem deste dia que este ano foi escrita pelo extraordinário Augusto Boal, criador, fundador e pedagogo do Teatro do Oprimido.
Mensagem
Somos todos atores
Teatro popular, teatro contestatório, teatro interativo, teatro educativo, teatro legislativo, teatro terapêutico... em outras palavras, Augusto Boal. O diretor brasileiro de renome mundial é o autor, este ano, da mensagem do Instituto Internacional do Teatro (IIT) elaborada em comemoração ao Dia Mundial do Teatro, celebrado em 27 de março.
Inventor do Teatro do Oprimido e do personagem denominado “espect-actor”, Boal nos convida a subir no palco da vida para criar um mundo onde a dualidade opressores/oprimido será abolida.
Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida! Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!
Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro.
Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, o palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver, tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.
Verdade escondida
Em setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro, apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós, em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da bolsa quando fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.
Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre: no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: "Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida".
Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.
Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!
Augusto Boal
In “Correio da UNESCO”
terça-feira, 24 de março de 2009
Surreal

Se não tivesse visto não acreditava. É preciso uma grande falta de carácter para dizer isto com o magnífico cenário...
Eu, como penso que muitos benfiquistas, teria vergonha de ter dirigentes assim. Que vivem da arruaça e falta de escrúpulos enquanto tentam esconder a catástrofe financeira e desportiva em que vivem.
Infelizmente para eles, e independentemente da fotografia, esta será sempre a taça Lucílio Batista. É que casos destes são como a mão de Maradona (ou de Ronny do Paços em Alvalade) que, de tão escandalosos, a memória não apaga.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Não dá para crer

Cerca de 900 milhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a água potável e 125 milhões de crianças com menos de cinco anos vivem em lugares sem acesso a fontes seguras de água potável. 2,5 mil milhões de pessoas vivem sem saneamento básico.
Números que apesar de tudo não impediram que o 5° Fórum Mundial da Água terminasse sem êxito.
Devido à falta de água potável e das doenças que daí advêm morrem por dia 4200 crianças em todo o mundo...
Ontem, dia 22, chamram-lhe o dia mundial da água...
Subscrever:
Mensagens (Atom)